Sexta feira (21,00H)
- Saúde e sentidos – as políticas necessárias
Sábado (16,30H)
- Ciência e Tecnologia ao serviço dos sentidos
Sábado (21,00H)
- Sinistralidade Laboral – um outro olhar é preciso
Domingo (15,00H)
- O Universo com sentidos
Este Blog pretende ser um meio de contacto entre os promotores, construtores, visitantes e outros interessados na Festa do Avante, em particular nas Exposições da Ciência e Tecnologia que, desde 1999, vem tratando de temas tão diversificados como Astronomia, o Ambiente, os Recursos Naturais, os Solos/Geologia, a Desertificação, Transportes Terrestres e, este ano, 2008, Os 5 Sentidos . Bem Vindo! Divirta-se aprendendo! Aprenda, Divertindo-se! Não há festa como esta!
Sexta feira (21,00H)
- Saúde e sentidos – as políticas necessárias
Sábado (16,30H)
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| «Sentir a vida, transformar o mundo» |
| Com o lema «Sentir a vida, transformar o mundo», o Espaço da Ciência e Tecnologias vai, este ano, acolher uma exposição sobre os cinco sentidos (visão, audição, olfacto, paladar e tacto). Em entrevista ao Avante!Augusto Flor, Sílvia Silva, Joana Dinis, Anabela Silva, Alice Figueira, Aurora e Patrícia Barbado desvendaram os «segredos» do espaço, um dos mais interactivos e procurados, durante os três dias, pelos visitantes da Festa. «Através dos cinco sentidos temos a capacidade e a percepção da vida e do mundo que nos rodeia. No entanto, não basta percepcionar e compreender, temos, de igual forma, que transformar o que está mal no mundo», afirmou Augusto Flor, referindo que o tema foi escolhido tendo em conta, como não poderia deixar de ser, «os aspectos de ordem e de oportunidade política». Sobre a exposição, sublinhou que a estrutura do espaço parte do ponto de vista da ciência e da tecnologia. «Vamos demonstrar o composição, a organização, a estrutura, a sistematização de cada um dos sentidos, a influência que eles têm na nossa vida, em todos os nossos comportamentos e atitudes, e também o que acontece na ausência deles», acentuou, dando o exemplo da deficiência, congénita ou provocada, «por sinistralidade no trabalho, rodoviária ou por uma qualquer causa». Naquele espaço, que, assim como na edição anterior, fica junto ao lago, vai ser possível ver e analisar «sentido a sentido». «Não é apenas ciência pela ciência ou tecnologia pela tecnologia, é isto visto num todo, de uma forma integrada, que tenha a ver com a vida», disse Augusto Flor. A primeira parte da exposição vai focar os sentidos e o cérebro. «Percepcionamos através dos sentidos, mas depois queremos assimilá-los para o cérebro», explicou Sílvia Silva, acrescentando: «Temos cinco áreas que dizem respeito a cada um dos sentidos, que iremos abordar, numa perspectiva científica, como é que é constituído o órgão sensorial, como é que funciona, como é que se faz a ponte entre os sentidos e o cérebro, o que acontece na limitação ou na ausência de um destes sentidos». O visitante poderá ainda perceber como funcionam os sentidos nos outros animais. «Queremos que seja dada uma perspectiva bastante geral do tema, fazendo a ponte entre as áreas áreas: a fisiologia, a fisionomia, a química, a física», disse ainda Sílvia Silva. Reagir a sensações Existem ainda outros sentidos, considerados auxiliares, que também terão destaque na exposição. «Vamos tentar explicar como é que o nosso organismo reage a outras sensações e como é que os outros sentidos se relacionam com os principais», frisou Joana Dinis, dando o exemplo das reacções às variações de temperatura, à dor, à fome, à sede e ao equilíbrio. Na exposição, em colaboração com o Núcleo de Física do Instituto Superior Técnico, vão também se realizar experiências, nomeadamente com o som e a luz. «Explorar como é que eles (os sentidos) funcionam, dando exemplos práticos. Perceber coisas que aparentam ser obvias e que, normalmente, não ligamos muito a elas», destacou. Com a colaboração do professor Máximo Ferreira, o visitante da Festa do Avante! tem ainda a possibilidade de observar o céu e os astros. Avanços tecnológicos Numa perspectiva cientifica e tecnológica dos cinco sentidos, vão ainda ser abordados os avanços tecnológicos e a forma como estes poderão contribuir para a melhoria da qualidade de vida do ser humano, nomeadamente o olho e o ouvido biónico. «Esta tecnologia tem a convergência de várias ciências como a biologia, a física, a informática e a economia», comentou Anabela Silva. Na exposição haverá, de igual forma, referência sobre às curiosidades de cada sentido. No caso dos invisuais, por exemplo, «como é que eles utilizam o tacto para a leitura». «Os pontos do sistema braille têm uma distância que é para os receptores não se confundirem», informou. Os sentidos dos animais também vão estar presentes nesta mostra. «O chamado “terceiro olho” dos répteis, no centro da cabeça, funciona como um relógio biológico que controla a reprodução e a hibernação», revelou Anabela Silva. Ali, os mais pequenos encontrarão ainda um espaço, relacionado com o tema, com jogos e ateliers. A ciência e as artes Porque a arte está, directamente, relacionada com a ciência e a tecnologia, no auditório do espaço vão passar vários filmes onde se exploram os sentidos. «Janela da Alma», «Luzes da Ribalta», «O Céu de Lisboa», «Filhos do Silêncio», «A Música e o Silêncio», «Perfume de Mulher», «Como Água para o Chocolate», «O Cozinheiro, o Ladrão, sua Mulher e o Amante», «Tampopo – Os Brutos Também Comem Esparguete», «Os Cinco Sentidos», «Chocolate» e «Um Toque de Canela», são algumas das películas a exibir. Alice Vieira salientou ainda que vão estar expostas várias obras literárias, nomeadamente de José Saramago (Ensaio sobre a Cegueira), de Alberto Caeiro (Guardados de Rebanhos) e de Virgílio Ferreira (A Esplanada sobre o Mar). «E os olhos que vêem o cinema; os ouvidos que escutam a música; os dedos que sentem as formas; o gosto das palavras; o cheiro dos lírios do campo, estão presentes nas nossas memórias e nas nossas emoções perante o mundo que se vê, se sente, se ouve... e lá está a ciência a estudar o olho, a língua, o ouvido.. e como tudo se equilibra, mesmo quando falha algum...», proseou. Por todo o espaço, ainda numa componente artística, estará patente um conjunto de esculturas, feitas com rede e ligadura de gesso, de autoria de Aurora Bargado. «O olfacto, a visão e a audição são em tamanhos grandes (80 centímetros). Para o tacto fiz mãos, com várias posições. Vai ainda ser executada uma cabeça, grande, para retratar o cérebro», revelou. O objectivo, adiantou, «é que estas peças tenham impacto quando as pessoas visitarem a exposição». Mais e melhor O espaço da exposição vai sofrer alterações. Com o objectivo de minimizar os vários problemas, ao grupo de trabalho juntou-se Patrícia Bargado. Segundo nos explicou, este ano, será resolvida, pelo menos espera-se, «a questão do barulho, da iluminação e da organização do espaço». «Na saída, por exemplo, a porta é mais pequena, para que as pessoas não tenham a tendência de entrar», apontou. Ciência com componente política No decorrer da entrevista, Augusto Flor destacou a «forte» componente política no Espaço da Ciência e Tecnologias, «de conhecimento mas também de construção da opinião política e das posições do Partido». Nesse sentido, será abordada, inevitavelmente, a área da saúde, «desde as listas de espera até às questões das especialidades». «No fundo, tudo aquilo que tem a ver com os cinco sentidos e as respostas que a sociedade, nomeadamente o Serviço Nacional de Saúde, oferece ao cidadão», afirmou. Numa outra área, do ponto de vista político, falar-se-à de deficiência. «No caso dos sinistralizados no trabalho, vamos ver como funciona a tabela de incapacidades das seguradoras. Iremos ainda apresentar um exemplo de como a luta de uma família permitiu que o Estado cedesse a aquisição de um equipamento tecnológico, altamente sofisticado, que permitiu a uma jovem surda-muda passasse a ouvir», revelou Augusto Flor. Por fim, na exposição, a economia estará em destaque. «É através da economia e dos seus indicadores que nos apercebemos da importância da tecnologia ao serviço do ser humano. Hoje, existem tecnologias que, por razões de ordem económica e de classe não estão acessíveis a toda a gente», criticou. Para o debate político, Augusto Flor valorizou a cooperação de algumas instituições ligadas à deficiência, ao trabalho, ao emprego, «não só na sua presença como na sua participação». «Teremos, certamente, três debates, um sobre “a ciência e a tecnologia ao serviço do ser humano” outro sobre “as questões da deficiência” e um outro sobre “a saúde”», revelou. Para além de um momento de poesia, acontecerá uma conferência, a cargo do professor e astrónomo Máximo Ferreira, sobre os cinco sentidos. «Como é que nós, seres humanos, através dos nossos sentidos, nos apercebemos, percepcionamos toda a complexidade que a astronomia nos pode transmitir e também o inverso. E também como ela se reflecte através dos nossos sentidos», sublinhou. No final da exposição, com os olhos postos no futuro, sendo este um instrumento de trabalho, será editado um CD com o teor da exposição. Publicado no Jornal "O Avante!" (Artigo publicado na Edição Nº1807) http://www.avante.pt/noticia.asp?id=25363&area=19&edicao=1807 |
A exposição de ciência da Festa do Avante! tem abordado temas tão relevantes como a astronomia, a física, a robótica, os materiais e as sua propriedades, a água, a energia, a fome, os recursos geológicos e até os transportes terrestres.
| Agora que passaram 50 anos - comemorou-se o lançamento do Sputnik 1 no espaço em 4 de Outubro de 1957 -, ainda dá para pensar aquela do Professor Varela Cid, professor, creio que de Aerodinâmica do Instituto Superior Técnico - e não, como há quem o diga, Professor de Astronáutica, que a náutica entre astros ainda estava para começar - que veio, ele, Varela Cid, para os órgãos de comunicação social, dizer que era impossível colocar um satélite no espaço, que se tratava de propaganda «russa»… Por essa altura, andava eu pelo terceiro ano «dos liceus», hoje sétimo ano do «básico», como aluno interno no Colégio Militar e não teria sido fácil ouvir tal atoarda em directo. No entanto, transcrevo a seguir um testemunho de Álvaro Belo Marques que, com toda a facilidade, encontrei na Web(1): «(…) Uma vez, estava eu a estudar, com o Rádio Clube Português em fundo, eram quase onze da noite, quando oiço o professor de Aerodinâmica no IST, doutor Varela Cid, dizer que o Sputnik era uma invenção propagandística dos russos e que era impossível lançar no espaço um satélite artificial. Logo em seguida, falou Henrique Galvão, pela Aeronáutica Civil, dizendo que, para pôr um satélite em órbita, bastava ter tecnologia e cérebros. Dá as onze e o RCP anuncia que o Observatório Nacional acabava de assinalar a passagem do Sputnik e que o seu bip-bip se poderia ouvir na frequência tal e tal, a dos crédulos. O professor, se tivesse esperado cinco minutos, não teria caído no ridículo (…)». O bip-bip… o mesmo que ouvi no 4 de Outubro deste 2007 na RDP2 quando me dirigia para o trabalho. Uma efeméride chamada, de seu direito, à primeira página do Público - há que assinalá-lo -, com uma bela fotografia, uma efeméride que marca o início da empresa espacial por parte da espécie homo sapiens sapiens. E, por um momento, desviemo-nos do Varela Cid daquele Portugal, de que vamos sofrendo, ainda com forte intensidade, as heranças das suas ramificações, e veja-se o que, por exemplo, poderia saber o Presidente Eisenhower. A Casa Branca, ao mesmo tempo que não se quis pronunciar sobre os aspectos militares do lançamento do Sputnik 1 - Ai, a quente Guerra Fria! -, declarou que o acontecimento não constituía uma surpresa. Com efeito, por exemplo, «o Presidente dos EUA Dwight Eisenhower dispunha de fotografias das instalações soviéticas tiradas desde 1956 a partir de voos conduzidos por [aviões] U-2 da Lockheed»(2). E acerca do impacto provocado na sociedade dos EUA (e seguramente na generalidade das sociedades ocidentais), de acordo com John Logsdon: «Os nossos filmes e programas de televisão nos anos 50 estavam cheios com a ideia de ir para o espaço. O que surpreendeu foi o facto de ter sido a União Soviética a lançar o primeiro satélite. Não é fácil evocar o ambiente daquele tempo»(3). Portanto, tanto para o presidente dos EUA como para a respectiva sociedade o facto de ter sido colocado um satélite no espaço exterior não constituiu nenhuma surpresa - no entanto, o ter sido considerado impossível pelo Professor português, da área talvez mais condizente, terá constituído uma surpresa. E tanto que, como surpresa «significa» informação, pavlovianamente lá saltou, de uma já então salivante área mediática, quem lhe difundisse a opinião «científica» - lá teve Varela Cid a oportunidade; infelizmente - estando lúcido - para ele. Voltando agora à citada fotografia do Público na edição de 4 de Outubro, deve ser referido, para os que não a viram, que ela representava o planeta vermelho - Marte que recentemente reapareceu nos media a propósito da preparação, na Rússia, de uma expedição a esse planeta. Lá mostraram na televisão a instalação onde os astronautas se preparam para este empreendimento. Lá referiram, e mostraram uma fotografia sua, na televisão, Tsiolkovski, do entusiástico «pai» - como se usa actualmente dizer - da Astronáutica soviética, e por que não dizê-lo, da Astronáutica. Tsiolkovski que, na obra teórica «A exploração do espaço cósmico por motores de reacção», publicada em 1903, discute quais os combustíveis necessários para que um foguetão possa dispor da potência suficiente para se libertar da atracção terrestre e atingir outros planetas.(4) Já então! Enfim, o Sputnik 1 era um elo fundamental de uma epopeia com pernas para andar, atravessando tempestades e marés. Marte está programado para próxima escala. in jornal Avante! Nº 1767 de 11.Outubro.2007 |